27 de Março Dia Mundial do Teatro
compartilhando texto de Fernando Bonassi que recebi do meu querido amigo Wilson Coêlho
NÓS FAZEMOS TEATRO - Fernando Bonassi
Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro.
Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil.
Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos
teatro. Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos.
Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...
Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes.
Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebe-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos pesadelos.
Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam “contra” o teatro.
Aliás, o que pode ser “contra” algo tão “a favor”? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.
Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga, minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental.
Contra a uniformidade, nós fazemos teatro. Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem fazer da realidade.
Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos – ainda que mal – e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz. Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor.
Pra entender o inestimável, se esfregar no infalível, resvalar na nobreza, experimentar as mais sórdidas baixezas, pra brincar de Deus...
Nós fazemos teatro, comendo o pão que os Diabos amassam, os pratos feitos que as produções financiam e os jantares que as permutas permitem. Nós temos fome da fome do teatro. Porque onde houve e há teatro, houve e há civilização.
Fazemos teatro sim, tem gente que não faz e está morrendo, essa é que é a verdade.
Fernando Bonassi (1962) é escritor, roteirista, dramaturgo e cineasta.
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Balbúrdia PoÉTICA 5
Dia 5 Abril – 2025 – 16
música.teatro.poesia
com textos/poemas de:
Ademir Assunção + Artur Gomes + Clarice Lispector + Ferreira Gullar + Paulo Leminski + Torquato Neto + Viviane Mosé
Convidado: poeta e escritor César Augusto de Carvalho
*
em vampiro goytacá
canibal tupiniquim
todas nós somos vampiras
numa página a gente transa
noutra página a gente pira
Irina Serafina
Na Academia Campista de Letras
Parque Dr. Nilo Peçanha – Jardim São Benedito – Campos dos Goytacazes-RJ
Fulinaíma MultiProjetos
22 99815-1268 – zap
@fulinaima @artur.gumes
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entredentes 3
https://www.youtube.com/watch?v=5iNTY8trOxs
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Amanhã 28 de março, 190 anos da cidade de Campos dos Goytacazes, e a partir das 18h na Academia Campista de Letras, encontro para discutirmos a próxima edição do FDP.
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NOMINATA DA MOSTRA VISUAL DE POESIA BRASILEIRA
Cabo Frio (RJ) 2025
Adão Ventura + Ademir Assunção + Al-Chaer + Angel Cabeza + Armando Liguori Junior + Aroldo Pereira + Artur Gomes + Belchior + Caetano Veloso + Carlos Barrozo + Carmem Salazar + Celso de Alencar + César Augusto de Carvalho + Clara Baccarin + Dalila Teles Veras + EuGênio Mallarmè + Federika Lispector + Federico Baudelaire + Ferreira Gullar + Gigi Mocidade + Irina Sefarina + Jorge Ventura + José Facury Heluy + Jidduks + Jurema Barreto + Karlos Chapul + Lau Siqueira + Lira Auxiliadora Lima de Castro + Luis Turiba + Mário Faustino + Mário Quintana + Martinho Santafé + Marcelo Atahualpa + Mônica Braga + Nicolas Behr + Noélia Ribeiro + Oswald de Andrade + Paulo Leminski + Pastor de Andrade + Regina Pouchain + Ricardo Vieira Lima + Rosana Chrispim + Rúbia Querubim + Sady Bianchin + Sílvio Prado + Sebastião Nunes + Sérgio de Castro Pinto + Simone Bacelar + Silvana Guimarães + Tanussi Cardoso + Torquato Neto + Tchello d’Barros + Wélcio de Toledo + Yara Fers + Zhô Bertholini + Viviane Mosé
Fulinaíma MultiProjetos
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Acabo de ler todo o roteiro da Balbúrdia PoÉtica 5 que me foi enviado por Rúbia Querubim. Não pensem um Sarau, pensem uma Oficina de Poesia, como uma proposta de criação e interpretação, num roteiro com textos/poemas de Admir Assunção, Artur Gomes, Clarice Lispector, Paulo Leminski, Torquato Neto, Ferreira Gullar e Viviane Mosé.
Da forma que consigo entender a Balbúrdia PoÉtica 5 é um ensaio para a montagem do espetáculo poético/teatral : “O sax no som da palavra dentro do poema”, onde o músico Dalton Freire vai criando intervenções sonoras dentro de algumas palavras quando faladas ou cantadas por algum ator/atriz do elenco. A mistura de linguagens e temáticas, o foco no desbravamento do tempo em que vivemos, pode nos remeter ao Mário Faustino, em “O Homem E Sua Hora”. Mas podem nos remeter também a fatos recentes como os atentados do 8 de janeiro de 2023, ou outros durante a pandemia que seifou 700 mil vidas de brasileiros. Mas o tempo também é um ser erótico nos poemas de Viviane Mosé quando afirma que: “o tempo anda passando a mão em mim/acho que o tempo anda passando/o tempo anda/ e por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo.”
Federika Lispector
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Balbúrdia PoÉtica 5
Dia 5 – Abril – 2025 – 16h
Campos VeraCidade
música teatro poesia
Academia Campista de Letras
Parque Dr. Nilo Peçanha
Jardim São Benedito
Campos dos Goytacazes-RJ
textos/poemas de:
Ademir Assunção + Clarice Lispector +Paulo Leminski + Ferreira Gullar + Artur Gomes + Federika Lispector + Torquato Neto + Viviane Mosé
*
Artur Gomes
Jogo de Dadaísta
não sou iluminista/nem pretender
eu quero o cravo e a rosa
cumer o verso e a prosa
devorar a lírica a métrica
a carne da musa
seja branca/negra
amar/ela vermelha verde
ou cafusa
eu sou do mato curupira carrapato
eu sou da febre sou dos ossos
sou da lira do delírio
e virgílio é o meu sócio
pernambuco amaralina
vida leve ou sempre/vida severina
sendo mulher ou só menina
que sendo santa prostituta
ou cafetina
devorar é minha sina
profanar é o meu negócio
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https://www.youtube.com/watch?v=szABRGqMqH8
*
moinhos de vento
por tanto tempo
por tanta escrita
por tanta carta
sem respostas
nossos moinhos de vento
muito além da mesa posta
ainda trago em mim
tuas mãos
tuas coxas
tuas costas
a tua língua
entre os dentes
em ex-camas que não tivemos
em madrugadas expostas
e tua fome era tanta
em tudo o que não fizemos
nesse teu corpo de santa
naquele tempo de bestas
na caretice de bostas
Artur Gomes
Do livro O Poeta Enquanto Coisa
2020
*
Eu sonho poema
Tem quem sonha
Em preto e branco
Tem quem sonha
Videoclipe
Tem quem sonha
Filme mudo
Tem quem sonha
Tela de cinema
Eu sonho poema
Armando Liguori Junior
do livro A Poesia Está Em Tudo
2020
*
Calor dentro
Calor fora
Quarenta graus
à sombra
Assombra
Tua mão quente
sobre o seio meu
hora ígnea
ante o olhar
de Prometeu
Noélia Ribeiro
do livro Espivitada
2017
Mostra Visual Poesia Brasileira
Exposição retrospectiva
Múltiplas PoÉticas
17 Maio – 20h – na programação da Balbúrdia Poética 6 – em Cabo Frio
com a Poesia de:
Tanussi Cardoso + Lau Siqueira + Wélcio de Toledo + Sérgio de Castro Pinto + Tchello d´Barros + Jidduks + Ademir Assunção + Torquato Neto + Paulo Leminski + Noélia Ribeiro + Aroldo Pereira + Jorge Ventura + Ricardo Vieria Lima + Angel Cabeça + Luis Turiba + César Augusto de Carvalho + José Facury + Artur Gomes
muito mais – aguardem mais informações
- tem chá tia
- com anis
- sem anis tia
Lira Auxiliadora Lima de Castro
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Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
*
quase urgência
a novelha vida me desgasta
nesse corpo
me consome nessa estrada
da palavra e da paixão
viver é redemoinho
repleto de vício e tensão
ainda q eu não saiba
viver na corda bamba
tem sido minha distração
Aroldo Pereira
do livro parangolares
2023
*
bastidor
caminhos trilhas
aprendizado
exercício
da reta
alinhavos chuleiros
riscados
incompreensíveis curvas
entre()linhas
e nós
nenhum ponto
nenhum laço
pode
separar embaraço
e trana
Rosana Chrispim
do livro Caderno de Intermitências
2017
Olhos de olhar pra dentro
Tinha uns olhos que não eram olhos,
eram tardes de chuva miúda
dissolvendo a cidade em espelhos,
estradas sem pressa,
trens que voltam e nunca chegam.
Os olhos dela sabiam de tudo,
das mortes pequenas nos quintais de infância,
dos tremores que moram no fundo do peito,
da poeira que dança no sol das manhãs.
Sabiam até quando ele mentia.
Olhos que pesavam o silêncio,
que liam cartas não escritas,
que ficavam parados, tão quietos,
mas sabiam voar.
E ele, que só tinha palavras tortas,
quis aprender com os olhos dela
a ver as coisas que não se dizem.
Simone Bacelar
Salvador (não lembro a data
Balbúrdia PoÉTICA 5
Dia 5 Abril 2025 – 16
música teatro poesia
Academia Campista de Letras
Parque Dr Nilo Peçanha – Jardim São Benedito – Campos dos Goytacazes-RJ
Pois bem, o dia está chegando e eu estava tenso, preocupado com uma resposta que aguardava, pois se ela não viesse a tempo, ou fosse negativa, o roteiro para a Balbúrdia precisaria sofrer alterações quase aos 45 minutos do segundo tempo. Corria esse risco. Mas eis que a reposta positiva me chegou:
Viviane Mosé me autorizou a utilizar no roteiro poemas de sua autoria. Conheci Viviane e sua poesia, em 2002, quando ela venceu o IV FestCampos de Poesia Falada com o poema; Receita Para Lavar Palavra Suja. Em 2002 ainda a trouxe a Campos para o projeto Terças Poéticas que era realizado pelo SESC Campos. Feliz Dia
Ale´m dos poemas de Viviane Mosé no roteiro da Balbúrdia PoÉtica 5 – tem poemas minha autoria mais: Ferreira Gullar, Paulo Leminski e Torquato neto.
Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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*
Balbúrdia PoÉtica 5
Dia 5 Abril 2025 16h
na Academia Campista de Letras
Parque Dr. Nilo Peçanha
Jardim São Benedito - Campos dos Goytacazes-RJ
nem ingênuo nem inocente
Marielle Presente
hoje já sei o que vai ser
ensaio com o elenco
até um novo dia amanhecer
Fulinaimagem
1
por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato
por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos
2
o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel
do livro: Juras Secretas –
Litteralux - 2018
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Balbúrdia PoÉTICA 6
17 Maio – 2025 – 20h
Usina4 Casa das Artes
Rua Geraldo de Abreu, 4
Cabo Frio-RJ
Mostra Visual : Poesia Brasileira
42 anos vestindo poesia brasil afora
Arte do chá
ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
Paulo Leminski
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mais poesia de: Artur Gomes + José Facury + Rúbia Querubim + Lady Gumes + Federika Lispector + Irina Severina + Martinho Santafé + Artur Kabrunco + Ferreira Gullar + Mônica Braga + Marcelo Atahualpa + EuGênio Mallarmè + César Augusto de Carvalho + Celso de Alencar + Ferreira Gullar + Torquato neto +Simone Bacelar + Federico Baudelaire
eu não sirvo para um amor qualquer meloso bem-me-quer pastor de andrade não me diz nada federico muito menos estou fazendo a linha dura de xandão toco fogo no chão de quem ficar me atazanado as ideias e acho que já dei o toque pra você meu camarada zé bundão só estou aqui para mimmesma não estou aqui pra mais ninguém
Irina Serafina
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as
flores do mal-me-quer
federico baudelaire
deve estar cheirando
pétala por pétala
num recife bem maduro
até porque nesse presente
ele não come
nem carne seca do futuro
Rúbia Querubim
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Balbúrdia PoÉTICA 6
Artur Gomes & José Facury
Dois Perdidos Em Seus Poemas Sujos
Dia 17 maio – 20h
USINA4 Casa das Artes
Rua Geraldo de Abreu, 4 – Cabo Frio-RJ
Participações especiais dos músicos: Clarêncio e Rodrigo
com roda de samba e poesia – mostra visual – roda de conversa
com César Augusto de Carvalho sobre o seu recém lançado Folhetim
artista homenageado: Jiddu Saldanha
em comemoração a
chegada dos 77 do nosso anfitrião: José Facury
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https://www.youtube.com/watch?v=63qIA7bdWV0
Artur Gomes – poesia proibida
uma produção Cinema Possível
Direção de Jiddu Saldanha
Fulinaíma MultiProjetos
contatos: fulinaima@gmail.com
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“jurei mentiras
e sigo sozinho
assumo os pecados
Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa
Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa
É não estar vencido”
Dia desses li uma resenha sobe Juras Secretas que me deixou de
queixo caída, alguém me disse que é inteligência artificial, não creio, é muito
pro/fundo pra ser superficial e se for vou acreditar mais ainda que existem
mais mistérios entre o sol e a terra do que possa imaginar a nossa djavã filosofia.
Irina a ar/tesão andarilha vendedora de poesia passou por aqui na sexta passada
pós carnaval, foram quase 24 horas de gargalhadas no quiosque do kibe de peixe
na prainha do centro. Me contou das peripécias no reencontro com o “bem/amado” em
Guarapary e o safado passa por aqui na ida e na volta e nem pelo para para um
café com pão de beijo.
Rúbia Querubim
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Macaé
Para Martinho Santafé
e Fernando Marcelo
in memória
Macaé
quantas vezes
mergulhei em imbitiba
quando era uma praia porreta
hoje não dá mais pé
e desfilei no boi capeta
com Marinho Santafé?
quantas vezes
poesia falada pelos bares da cidade
quanto mais significa
enquanto Fernando Marcelo
em seu jornal paralelo
expunha as questões do ambiente
da lagoa de imboacica?
no carnaval de 85
com máscara
de tancredo no rosto
travestido de lelê
pra dançar no tênis clube
e entrevista na tv
tudo visto tudo posto
enquanto isso
um rock in rio primeiro
com strip-tease de Péris Ribeiro
imitando o ACDC
para desvenda pedra do rock
em noites boêmias por aqui
no Palácio do Urubu
teatro música performer
poesia em exposição
e Sandra Wait me disse
logo assim que me ouviu
isso aqui está bem a cara
da bandeira do Brasil
um estandarte em procissão
e então Macaé
quantas vezes bebemos todas
quantas vezes tragamos todas
quantas vezes vestimos todas
poesia em comunhão ?
Artur Gomes
San Francisco de Itabapoana – 17 março 2025
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ando desencantada com essa coisa de julgamento colocam pessoas
totalmente sem vivência do que seja carnaval de escola de samba e vem uma doutora de não sei o que
dizer que tinha “excesso de expressões iorubá” nos desfiles, o que q essa “ilustríssima
senhora” queria se quem faz o desfile das escolas de samba são pretos e pretas
vindos lá das profundezas de uma áfrica em sua maioria colonizada e escravizada
por brancos europeus, hoje espalhados por esse brasil profundo afora.
Gigi Mocidade
A ex-rainha da Bateria da Mocidade Independente de Padre
Olivácio
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todo
sábado
me
esqueço
me
entorto
enlouqueço
desconcerto
amanheço
Artur Gomes
arte: Claudia Lobo
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canção de um realejo solitário
para Artur
Fulinaíma
“ainda tenho o teu perfume
pela casa
ainda tem você na sala
porque meu o coração dispara
quando sinto teu cheiro
dentro de um livro
dentro da noite veloz”
Adriana
Calcanhoto
meu coração dispara
quando abro a porta
e não te vejo
na vertigem do dia
canção de um realejo solitário
quando não te beijo
eu imenso mar sozinha
como um peixe afogado em águas
de delírio e lágrimas de sal
Rúbia Querubim
in Drummundana Itabirina
Com os dentes cravados na memória
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dia internacional da poesia
Todo Dia É Dia D
Poesia Todo Dia
poesia do corpo
nasce entre a carne a medula o sangue a nervura da alma e a escridura dos ossos onde posso dizer o que sinto posso sentir o que posso nem sempre a palavra vale quanto pesa nem sempre um poema cabe pleno numa reza palavra as vezes fica perdida na memória não flui no consciente em complemento da história
nem tudo que é belo
angra
a flor do mangue
ainda sangra
Artur Gomes
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disse certa vez uilcon
pereira na unesp de araraquara sobre suor & cio olhando para uma fotografia
de sebastião salgado que
:
“artur kabrunco é um ser espiritual encapetado voa com os pés
no chão e deixa suas marcas na carne do poema ensanguentado”
é preciso muito cuidado com esse vampiro goytacá
Rúbia Querubim
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brazilha
1968
tantas vezes
estive nessa ilha
que não é de vera cruz
muito menos santa
assim mesmo
abracei a catedral
para beijar seus mortos
mesmo sem crer em salvação
nos canteiros de obra
durante a sua construção
Artur Kabrunco
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64
Não era de Vênus
a cor do sol do meio dia
Afro-dite
negras eram nuvens
acima o mar num céu de estanho
chumbo metal pesado
no couro cru da carne viva
ferrugem corroendo ossos
botas pontiagudas
patas de cavalos cuspindo coices
no calabouço do asfalto
esporas sangrando corpos
abrindo cadafalsos
na noite 31 de março
madrugada primeiro de Abril
Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
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jura não secreta 19
fulinaimicamente ereto
eu nasci concreto
quero dizer que ainda arde
tua manhã em minha tarde
a tua noite no meu dia
tudo em nós que já foi feito
com prazer inda faria
quero dizer que ainda é cedo
inda tenho um samba-enredo
e tudo em nós é carnaval
é só vestir a fantasia
quero ser teu mestre-sala
e você porta/bandeira
quando chegar na quarta-feira
a gente inventa outra fulia
Artur Gomes
Juras Secretas
Editora Litteralux – 2018
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uma quadrilha armada
tomou o país de assalto
jogou brazilha no asfalto
com o beijo da amante prostituta
enlamearam os 3 palácios
:
planalto alvorada jaburu
o desejo era lamber botas
da américa do norte
para que ela se apodere
da américa do sul
Artur Gomes
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Balbúrdia POÉTICA 5
1º de Abril – 2025 – 14 às 16h
No Stand da ACL
12ª Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes-RJ
Deus não joga dados
mas a gente lança
sem nem mesmo saber
se alcança
o número que se quer
mas como me disse mallarmè
:
- vida não é lance de dedos
A vida é lança de dardos
Deus não arde no fogo
mas eu ardo
Artur Gomes
Poema do livro Pátria A(r)mada
Desconcertos Editora – 2022
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18/02/2025
PGR finalmente denuncia
os genocidas fascistas
da quadrilha bolsonarista
já podeis
da pátria, filho
ver demente
a mãe gentil
já raiou a liberdade
em cada cano de fuzil
salve lindo
fuzil que balança
entre as pernas
a(r)madas da paz
a gripezinha
era a certeza esperança
de um genocida
imbecil incapaz
pan(demônica)
passeio os pés descalços sobre covas rasas
contando ossos no poema exposto
no sujeito do objeto
tudo isso exposto nesse papo reto
segue o passo norte
não leio cartas de suicídio
nem decreto de hospício
na tentação que me conforte
quero matar o genocídio
pra não morrer antes da morte
Artur Gomes
do livro Pátria A(r)mada
Desconcertos Editora - 2022
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meu querubim
se entranhou em iriri
dia primeiro passo por ali
para matar meu desejo
lhe dar um beijo
ai que saudade sem fim
Artur Gomes
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linda homenagem de Angel Cabeza à poeta Maria Tereza Horta
O mundo não precisa de nós, mas nós precisamos do humano.
Ontem, foi-se mais uma expoente, dessa vez a portuguesa Maria Teresa Horta, brava lutadora.
Combateu a ditadura com a maior e mais forte de todas as espadas, a poesia.
*
Morrer de amor
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
*
Arrebatada
Ninguém me castra a poesia
se debruça e me põe vendas
censura aquilo que escrevo
nem me assombra os poemas
Ninguém me apaga os versos
nem me amordaça as palavras
na invenção de voar
por entre o sonho e as letras
Ninguém me cala na sombra
deitando fogo aos meus livros
me ameaça no medo
ou me destrói e algema
Ninguém me aquieta a escrita
na criação de si mesma
nem assassina a musa
que dentro de mim se inventa
Ninguém me cala na sombra
deitando fogo aos meus livros
me ameaça no medo
ou me destrói e algema
Ninguém me aquieta a escrita
na criação de si mesma
nem assassina a musa
que dentro de mim se inventa
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O sax na voz da palavra dentro do poema
*
o impulso aqui não é pouco o espírito grita dentro do corpo deliro feito louco de tanta sede e fome como quem não vive em paz como quem não come há muitos séculos atrás
*
em armação de búzios
tenho um amor sagrado
guardado como jura secreta
que ainda não fiz para laís
em teus cabelos girassóis de estrelas
que de tanto vê-las o meu olho vela
e o que tanto diz onda do mar não leva
da areia da praia onde grafei teu nome
para matar a sede e muito mais a fome
entranhada na carne como flor de lotus
grudada na pele como tatuagem
flutuando ao vento como leve pluma
no salgado corpo do além mar afora
sargaço em tua boca espuma
onde vivem peixes - na cumplicidade
do que escrevo agora
*
concepção produção e direção
*
Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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@fulinaima @artur.gumes
ainda estamos aqui
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*